O que falta para tirar Bolsonaro da presidência?

Por Luiz Fernando Teixeira, deputado estadual do PT na Alesp

Erro atrás de erro. Desmandos atrás de desmandos. Se alguém tinha dúvida de que Jair Bolsonaro é despreparado para qualquer cargo público a essa altura do campeonato já deve ter certeza. São dezenas de declarações infelizes, mentirosas e atitudes erráticas. O que mais falta para que esse irresponsável, que brinca com a vida dos brasileiros, saia da presidência?

Desde o início da pandemia, no começo do ano passado, o presidente tem negado veementemente a gravidade de uma doença que já matou cerca de 220 mil brasileiros e brasileiras. Tem menosprezado a ciência com declarações mentirosas e cruéis. Tem, algo que é mais grave ainda, se isentado de sua responsabilidade como chefe de estado.

A saída de Bolsonaro e de seus ministros, principalmente do irresponsável que ocupa o Ministério da Saúde sem ter formação para isso, deveria ser prioridade para o Congresso. Infelizmente não é isso o que vimos: o Centrão, como de costume, se vende por emendas parlamentares e cargos públicos. São verdadeiros cúmplices de um governo genocida.

A oposição também tem sua parcela de culpa. Já foram apresentados dezenas e dezenas de pedidos de impeachment, que todos sabem que dificilmente vão prosperar. É o popular “minha parte eu fiz”.
O povo tomou as ruas a partir do aumento de R$ 0,20 no transporte público em 2013. As manifestações tomaram proporções gigantescas e atingiram até uma presidente que não cometeu crimes que levaram ao seu impeachment. Naquela ocasião o Congresso sucumbiu à pressão e retirou do poder, em um verdadeiro golpe, uma mulher democraticamente eleita.

O mesmo povo que se indignou por vinte centavos precisa começar a se indignar por milhares e milhares de mortes. Não foi Bolsonaro quem trouxe a pandemia para o Brasil, mas é ele o responsável pelas perdas, pela falta de estrutura da Saúde e pelas piadas infelizes com a situação do nosso país.

Não é normal que mais de mil pessoas percam a vida diariamente. Não é normal que 50, 60, 80 mil sejam infectados todos os dias em um país sem comando e sem leis. Também não é normal gastar R$ 1,8 bilhão em leite condensado, biscoito, refrigerante, pizza, iogurte, pão de queijo e dezenas de outros itens para consumo do próprio governo enquanto os brasileiros morrem de fome sem o auxílio-emergencial.

Se a resposta do omisso Congresso demora a aparecer, pelo menos a posição da opinião pública começa a mudar – mesmo a passos milimétricos. Segundo o Datafolha, no começo de dezembro apenas 32% consideravam o governo ruim ou péssimo; agora, já são 40%.

Por incrível que pareça uma parcela da população, que apoia os absurdos e a omissão de Bolsonaro, ainda avalia o governo como ótimo ou bom: eram 37% no mês passado; 31% agora. É uma deterioração importante em um espaço de tempo relativamente curto.

Como disse acima, o brasileiro precisa resgatar a capacidade de se indignar. Ou você acha normal que cinco aviões caiam por dia em nosso país por erros do piloto?
O impeachment de Bolsonaro é urgente e pode salvar vidas. Precisamos de um presidente que assuma suas atribuições, monte uma equipe forte de ministros e tenha compromisso com seu povo. E que não gaste dinheiro público com leite condensado.

Luiz Fernando Teixeira é deputado estadual (PT/SP

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