Estado de São Paulo perde o controle no combate à Covid-19

Por Luiz Fernando, deputado estadual pelo PT/SP

A pandemia do Covid-19 jamais esteve sob controle no Estado de São Paulo e muito menos no restante do país. Há pouco mais de duas semanas, o governador João Doria publicou um vídeo em suas redes sociais para desmentir que endureceria as restrições de quarentena logo após as eleições municipais.

“Vim aqui para desmentir mais uma fake news, mais uma mentira. Depois das eleições, nós não vamos fechar comércio ou endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle, por isso seguimos pauta da ciência e da medicina. É a saúde que determina o que temos que fazer aqui. Não é a política. Não agimos por pressão política ou por outros interesses. O meu repúdio aos que espalham esse tipo de mentira para prejudicar nossa gestão ou fazer um golpezinho às vésperas da eleição. Nossa gestão em São Paulo sempre agiu de forma transparente e vamos continuar fazendo assim, priorizando a vida dos brasileiros”, disse o governador, no dia 13 de novembro.

Não foi isso que vimos assim que as urnas foram fechadas. A partir de segunda-feira, 30/11, todas as regiões do Estado de São Paulo foram colocadas na fase amarela do Plano São Paulo. Isso significa que o comércio e os serviços passam a ter redução na ocupação máxima de público de 60% para 40%. O horário de funcionamento será limitado a dez horas diárias. E eventos com público em pé estão suspensos novamente. Proibição de diversas atividades, especialmente, culturais.

Medidas acertadas por conta da gravidade da doença, mas que foram adotadas tarde demais para não atrapalhar a eleição e a popularidade dos tucanos. Curiosamente, todas essas medidas só foram divulgadas um dia após a reeleição de Bruno Covas.

O fato é que os números de casos e de mortes diárias vêm aumentando consideravelmente nas últimas semanas. Segundo o Boletim Coronavírus, organizado pelo próprio governo de João Doria, a cidade de São Paulo teve um crescimento superior a 41% no número de novos casos de Covid-19 no último mês. Na Grande São Paulo, a taxa de ocupação de UTI quase chegou a 60% na última sexta-feira, 27/11, com o registro de 882 novas internações no dia. É o maior número desde 27 de agosto. Em todo o Estado a ocupação de UTI é de 51%.

Em 18 de novembro, diversos veículos de imprensa publicaram reportagens em que médicos já criticavam a inércia do governo do Estado. De lá pra cá nada foi feito.

Em meio a tantas incertezas e falta de ações, a pergunta que fica é: quantas pessoas perderam a vida por conta da demora de João Doria para endurecer a quarentena?

 

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