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17/08/2018

DESVIOS NA SAÚDE

Santa de Casa vira OSS para se recuperar e se endivida ainda mais

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Maurício Rodrigues, provedor da Santa Casa de Bariri, cidade a 50 km de Bauru, de formação é desenhista e projetista. Ele depôs à CPI que investiga as Organizações Sociais de Saúde, em curso na Assembleia Legislativa, em reunião ocorrida ontem (16/8).

Maurício assumiu o cargo de provedor depois da prisão de Aparecida de Fátima Bertoncelo, envolvida em desvio de recursos da Santa Casa.

O nome “Santa Casa”, na verdade, virou apenas referência ou símbolo quando no ano de 2015 Paulo Câmara e Ronaldo Foloni, espécie de empresários do ramo da saúde, intermediaram a transição do modelo de Santa Casa para Organização Social de Saúde (OSS), por meio da criação de uma empresa chamada “Vitale”, por sugestão de “Tata”, como é conhecida a já mencionada Aparecida Bertoncelo.

As informações acima foram dadas por Maurício Rodrigues e Diogo Alves Fernandes, identificado como seu “assessor”, na última oitiva da CPI.

COMO A SANTA CASA VIROU VITALE

Segundo os depoentes, a Santa Casa hoje conta com orçamento mensal de R$300 mil e déficit de R$110 mil. Por causa do déficit, explicam, teria surgido a Vitale, para tomar a Santa Casa pelas mãos e mantê-la de pé.

No entanto, a mesma empresa que conseguiu ser qualificada como OSS no âmbito municipal, era também responsável pela gestão de outras unidades de saúde (no Estado de SP: Barueri, São José, Ouro Verde, São João da Boa Vista, Várzea Paulista e Mogi das Cruzes. E uma no Maranhão). Destas, vigoram três contratos.

Segundo Maurício Rodrigues, o Hospital Ouro Verde, de Campinas, gerou grande complicação para a Vitale. Após perceber que o hospital era “problemático” e “dava prejuízo” de R$3 milhões, O grupo abandonou a gestão do hospital e moveu ação em 2017 para que a prefeitura arcasse com a perda.

“Vocês pegaram passivo e comprometeram OSS e prefeitura”, afirmou o deputado José Américo, falando da irresponsabilidade da empresa, o que foi reforçado pelo presidente da CPI, Edmir Chedid, que mostrou preocupação e disse que cabe à CPI discutir como esses custos de má gestão comprometem prefeituras e Estado.

José Américo pediu ata de eleição dos membros da diretoria, CNPJ da Santa Casa, dentre outros documentos. O parlamentar completou: “O que não bate é uma Santa Casa com problemas como todas as outras virar OSS e crescer mais passando a gerir hospitais como o de Campinas”.

Nomes que surgiram durante a oitiva:

Paulo Roberto Segatelli Câmara, que segundo Diogo era da assessoria administrativa da Vitale.

Daniel Augusto Gonzales Câmara, seu filho. Juntos formam a empresa “DeP”.

Ronaldo Passareli, gerenciamento de projetos.

Aparecida de Fátima Bertoncelo, que está presa. Era provedora anterior da Santa Casa.

Ronaldo Foloni. Um dos diretores do hospital de Campinas.

Fernando Vitor Torres Nogueira Franco, diretor técnico do Hospital Ouro Verde.

Paulo câmara e Foloni intermediaram transformação da Santa casa em OSS.



NO FINAL: SAÚDE COMPROMETIDA E DÍVIDAS

Questionado se a Santa Casa obteve alguma melhora depois de se tornar Vitale, Maurício disse que “Continuamos do mesmo jeito. A Santa Casa continua com déficit. Precisaremos continuar com essa vidinha ...”.



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