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03/08/2018

Ex-diretor do Metrô Sérgio Correa Brasil recebeu R$ 2,5 milhões de propina, diz MP

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O Ministério Público de São Paulo protocolou ação de improbidade administrativa contra o ex-diretor do Metrô Sérgio Correa Brasil. Dois executivos da Camargo Corrêa, Jorge Arnaldo Curi Yazbec Junior e Eduardo Maghidman, apontaram, em acordo de delação, que ele recebeu propina de R$ 2,5 milhões para fraudar licitação das obras da Linha 5-Lilás do Metrô, em 2010. Também foi pedido, em caráter liminar, o bloqueio dos bens do ex-diretor.

Sergio Corrêa Brasil teria favorecido cartel formado pelas cinco maiores empreiteiras do país. no procedimento licitatório que foi instaurado para a execução das obras civis de engenharia para a linha 5-Lilás do Metrô. O pagamento da propina teria sido mediado pela empresa AVBS Consultoria e Representações Ltda, por meio da simulação de um contrato de consultoria com a Camargo Corrêa.

Segundo reportagem do G1, “apurou-se que foram realizados dois contratos simulados de consultoria, sendo um deles para execução de estudos de viabilidade e projeto conceitual do trevo Jundiaí ( Contrato de prestação de serviços – simulado – nº 46000060364/11) que resultou no pagamento de R$ 1,25 milhão, e um segundo de serviços de execução dos estudos de viabilidade técnica da interligação rodovia Raposo Tavares com a Marginal Tiête (contrato de prestação - simulado - de serviços– nº 46000042832) que também resultou em outro pagamento de R$ 1,25 milhão”.

O promotor Marcelo Milani afirma que contratos firmados foram fictícios e que a referida consultoria foi apenas de fachada para ocultar o real motivo. A AVBS Consultoria e Representações "é uma empresa de representantes comerciais e agentes do comércio de mercadorias que em nenhuma hipótese poderia realizar estudos técnicos de viabilidade técnica de interligação rodoviária, mostrando de forma evidente a simulação", declarou.

Quem é Correa Brasil?
Sérgio Correa Brasil é funcionário de carreira do Metro (Assessor técnico IV), que alçou cargos de direção nas gestões dos tucanos. Foi gerente de compras e licitações de agosto de 1994 a julho de 2008, quando assumiu a Diretoria de Assuntos Corporativos, onde permaneceu até janeiro de 2011.
Quatro meses depois, foi cedido para a Secretaria de Planejamento e atuou no conselho gestor de Parceria Público Privadas (PPPs) do Estado. Compôs ainda a Comissão de Licitação da Linha 6 – laranja, indicado pela Secretaria, em abril de 2013.

Correa Brasil atuou em licitações bilionárias no governo de São Paulo, mesmo depois de seu nome aparecer nas investigações da Operação Castelo de Areia, em 2009.
No período em que foi diretor, ele assinou 118 contratos que somam R$ 9,7 bilhões. Mas, mesmo antes de assumir o posto no primeiro escalão da estatal, Corrêa Brasil já era um agente influente, segundo depoimento de delatores.

Segundo os delatores, Corrêa Brasil recebeu propinas referentes a obras de quatro linhas do metrô ao longo de diferentes gestões tucanas no governo paulista. Nas planilhas de pagamento da Odebrecht e Camargo Corrêa, foi identificado com os apelidos de “Brasileiro”, “Encostado” e “Mel de Abelha”.
De acordo com o executivo da Odebrecht Fabio Gandolfo, no fim de 2003, quando a empreiteira iniciou tratativas para que o metrô retomasse um contrato para expansão da linha 2, que estava parado havia mais de dez anos, o então presidente da estatal, Luiz Carlos Frayze David, disse que a empreiteira precisaria pagar “um apoio” para um funcionário que cuidaria do ajuste contratual.
Nos anos de 2004, 2005 e 2006, o então gerente do metrô teria recebido R$ 1,5 milhão. Um relatório da Polícia Federal produzido em outubro de 2009 no âmbito da Operação Castelo de Areia identificou que uma outra empreiteira, a Camargo Corrêa, pagou propina a Corrêa Brasil também por causa das obras linha 2.

O processo licitatório a expansão da linha 5 do metrô foi concluído em outubro de 2010, quando Correa Brasil era o líder do processo licitatório. Após a assinatura do contrato, ele teria cobrado o pagamento de 0,5% do valor do contrato por ter atendido a reivindicações para modificar o edital.

No mês passado, os executivos da Camargo Corrêa Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman disseram ter pago R$ 2,5 milhões em propina ao ex-diretor.

Um outro executivo da Odebrecht, Celso Rodrigues, disse que Corrêa Brasil chegou a ter até uma sala no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Foi no restaurante dos funcionários do palácio que ele fez uma reunião com representantes das empresas e acertou que elas lhe pagariam 0,1% dos R$ 8 bilhões referentes às obras civis da linha 6.


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