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28/09/2017

SAÚDE PÚBLICA

Alencar Santana debate desmonte de Fundação para Remédio Popular pelo governo Alckmin

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Após Audiência Pública para debater o desmonte, superintendente da FURP fala que vai levar a questão ao Secretário de Saúde do Estado e ao governador para tentar rever 300 demissões previstas.
Terceirização e privatização. Ficou claro como é que o governo Alckmin tem agido para desmontar a Fundação para Remédio Popular (FURP), laboratório que produz e distribui medicamentos para o Estado por meio de farmácias populares. Ou melhor, que deveria produzir. Porque, segundo o próprio superintendente da FURP, Durval de Moraes, “está difícil competir com o mercado chinês”, por isso a Fundação compra remédios por meio da Secretaria da Saúde em vez de produzir. O perigo, alerta-se, é reduzir a FURP a uma estrutura meramente logística.

Enquanto ocorrem essas aquisições “por fora”, funcionários da FURP descrevem o que ocorre “por dentro” da Fundação: trabalhadores e máquinas parados, caminhões fazendo serviços internos, além da terceirização de serviços como lavanderia e transportes, dentre outros. Os funcionários, denunciando como são desvalorizados, chegam a falar de roupas que são lavadas pela empresa terceirizada e retornam a eles com mau cheiro.

Essas e outras questões, todas apontando para desmonte da FURP, foram debatidas nesta quinta-feira (28), em audiência realizada pelo líder do conjunto de deputados estaduais do PT, Alencar Santana Braga, com apoio da Liderança do PT.

“Não é possível. Existem diversas farmácias privadas nas quais as pessoas compram medicamentos; e na pública as pessoas não querem? Essa lógica não é real. Vamos denunciar isso, vamos resistir, porque a FURP é essencial na política pública de medicamentos do Estado de São Paulo e do país”, defendeu o líder do PT.

Alencar lembrou ainda que o laboratório público ajuda a não deixar o mercado ficar nas mãos das empresas privadas, que podem subir o preço dos medicamentos de forma excessiva.

A REALIDADE DA FURP HOJE. ALCKMIN PROMETEU AUMENTAR DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS, MAS REDUZIU

Em sua campanha de 2014, o governador Geraldo Alckmin disse que ia ampliar as unidades de Farmácia Dose Certa, mas, em vez disso, as reduziu de 14 para 8 unidades. O governo tinha como meta produzir mais de 10 milhões de medicamentos de 2012 a 2016, mas foram entregues 6,1 milhões, ou seja, 60% dos medicamentos prometidos, mostrando como o desmonte da FURP prejudica o Dose Certa.

Sobre a redução das unidades, o superintendente da FURP disse que ocorreram “por falta de procura”, com a hipótese de que as pessoas podem ter buscado medicamento em outros locais, como unidades de saúde ou Farmácia Popular.

Não há dados sistematizados que informem sobre como as pessoas adquirem os medicamentos. Logo se eximindo da responsabilidade, o Conselho Regional de Farmácia disse que “se atém a cobrança e fiscalização”, não com tal mensuração.

TRABALHADOR PAGA POR DESCUIDOS DO GOVERNO COM FURP

Os trabalhadores da FURP trouxeram para a Audiência Pública seu receio com a possível demissão de 300 deles. O superintendente, durante a audiência, confirmou o corte, chamando-o de “reestruturação”. Mas, depois de diálogo com o deputado Alencar Santana Braga, ao fim do evento, mostrou-se disposto a rever a questão, levando o caso ao Secretário de Estado da Saúde e ao governador Geraldo Alckmin.

“A gente sugeriu que haja mesa de negociação permanente entre direção da FURP e trabalhadores e sindicato para buscar uma saída. Quem disse que a melhor alternativa é demissão de 300 funcionários?”, questionou Alencar Santana.

“Vamos nos reunir com sindicatos e trabalhadores para resistir às demissões, vamos denunciar. As pessoas têm que saber o que Alckmin está fazendo com a FURP. A FURP é uma laboratório público que ajuda a fornecer medicamentos a uma série de farmácias populares”.

O superintendente da FURP disse que vai levar adiante proposta de negociação, dialogando com Secretário da Saúde e com governador geral Alckmin para que haja possibilidade de rever demissões.
Também participaram do evento o presidente do Sindicato dos Químicos de Guarulhos e Região e Confederação Nacional dos Trabalhadores, Antonio Silvavan Oliveira; o vereador petista Paulo Landim, de Araraquara; representantes dos conselhos de Medicina e Estadual de Saúde, além de sindicatos e do Ministério Público.



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