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13/04/2017

NÁUFRAGO

Governo Alckmin caindo aos pedaços

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Delações apontam que Alckmin recebeu mais de R$10 mi só da Odebrecht
As incessantes denúncias de corrupção envolvendo o governador Geraldo Alckmin e seus colegas tucanos mostram que o governo do Estado e o PSDB estão em processo de esfacelamento. Investigações apontam que o governador recebeu mais de R$10 milhões da empreiteira Odebrecht para campanhas de 2010 e 2014 – que, em troca, esperava que caísse em suas mãos polpudas obras (feitas via PPP, Parcerias Público-Privadas), do Metrô e de saneamento. O prejuízo maior, sempre, é da população, que deixa de ter acesso a transporte público de qualidade, entre outros direitos, porque verbas que serviriam para investimentos caem em mãos erradas.

Em delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (12), aparecem detalhes dos recebimentos de dinheiro por Alckmin. Segundo delatores, o governador recebeu da Odebrecht R$ 2 milhões na campanha para o governo do Estado em 2010 e mais R$ 8,3 milhões ao se reeleger em 2014. O dinheiro não foi declarado na prestação de contas remetida à Justiça Eleitoral.

Um dos executivos da construtora conta que recebeu de Alckmin um cartão com nome e telefone de seu cunhado, Ademar César Ribeiro, para que combinasse o esquema de pagamento via caixa 2.

No depoimento do ex-presidente da Odebrecht, Benedito da Silva, conhecido pelo apelido BJ, ele detalha:

"Eu autorizei o Carlos que fizesse o pagamento. Ele contatou o Adhemar e fez os pagamentos sob o codinome ‘Belém’, no valor de R$ 2 milhões para campanha de 2010”. Quando o investigador do caso pergunta a BJ se o pedido foi feito diretamente por Alckmin, ele não hesita: “Direto do Geraldo Alckmin”. O investigador ainda pergunta: “Esse dinheiro foi pago com caixa dois?”. Ao que BJ responde: “Com dinheiro do sistema estruturado, via caixa dois”.

O executivo disse também que as entregas do dinheiro foram divididas em parcelas de R$ 100 mil a R$ 200 mil, feitas em um local na Avenida Brigadeiro Faria Lima – seria um dos escritórios que Adhemar cedeu a Alckmin apenas para essa finalidade.
Para completar, Benedito disse que a empreiteira tinha expectativa de ser beneficiada com obras do Estado, como as do Metrô e de saneamento, via Parcerias Público-Privadas.

A transação de R$ 2 milhões, segundo matéria do jornal Extra, foi operacionalizada a favor de Alckmin por meio do sistema Drousys, que é utilizado para registro de valores não contabilizados.

Em matéria da Revista Fórum, aparece a informação de que Carlos Armando Paschoal, ex-diretor da Odebrecht em São Paulo, afirmou em seu acordo de delação que Geraldo Alckmin (PSDB) acertou pessoalmente o repasse de R$ 2 milhões via caixa dois da empreiteira para sua campanha ao governo do Estado, em 2010 e que BJ afirmou que a quantia paga foi de R$ 8,3 milhões, desta vez intermediada por Marcos Monteiro, ex-tesoureiro do PSDB e ex-secretário de Planejamento.

Cunhados de ouro

O cunhado de Geraldo Alckmin, Adhemar César Ribeiro, irmão da mulher do governador, Lu Alckmin, vem sendo mencionado em matérias da imprensa como o braço-direito de Alckmin há muitos anos. O cunhado teria compartilhado com Alckmin o escritório para vinda do dinheiro da Odebrecht. Adhemar aparece como presidente-executivo do Grupo Nações. Além disso, possui diversos – e rentativos- negócios, como o estaciosamento Ceasa Park, construções, seguros e negócios aeronáuticas.

Outro cunhado da mulher do governador, Paulo Ribeiro, é investigado na máfia da merenda em Pindamonhangaba.


Tucanada toda

Além do senador Aécio Neves, outros tucanos aparecem na delação da Odebrecht. Processos contra eles serão abertos nas instâncias pertinentes ao foro de cada um. Tucanos que aparecem: José Serra, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin, Antonio Anastasia, Beto Richa e Fernando Henrique Cardoso.


Serra é o Careca

Vale destacar uma matéria da Folha de Londrina, que fala da delação de Fabio Gandolfo, outro executivo da Odebrecht, em que ele afirma que o senador José Serra recebeu R$ 4,67 milhões em 2004 referentes a obras da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo. Segundo a matéria, o dinheiro era repassado sob os codinomes "vizinho" e "careca" e era parte de um "compromisso" de 3% do contrato do transporte paulista.


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