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30/11/2016

CPI da Máfia da Merenda

20ª CPI da Máfia da Merenda: Desfaçatez marca depoimento de “consultor” que fraudava notas para viabilizar propinas da COAF

Crédito: Kátia Passos
Joaquim recebeu até 25% de valor de contratos por fornecer serviços que chama de "consultoria"
Membros de CPI se impressionam com comissões de até 25% que Joaquim Pereira recebia por serviços que chamou de “consultoria”.

O segundo depoente ouvido no início da tarde de quarta-feira (30) pela CPI da Máfia da Merenda, na Alesp, forneceu informações tão desencontradas na oitiva, que momentaneamente despertou descrença e indignação dos deputados presentes na CPI.

Joaquim Pereira da Silva, apontado pelo Ministério Público por ser o falsificador de notas fiscais para a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF), utilizadas pelos lobistas para justificar pagamento de propinas a empresários e agente públicos, disse que recebia porcentagem de 5 a 25% de comissão sobre valor dos contratos para os quais fechava “serviços de consultoria”.

Pereira, que é empresário em Campinas, sócio-administrador da Riocamp Negócios Institucionais, gabou-se durante seu depoimento de suas habilidades como “consultor”.

Questionado pela deputada Marcia Lia sobre o que constituía exatamente sua função como consultor, Joaquim respondeu: “Eu recebia os pedidos , conferia pedidos planilhados e mandava para COAF. Além disso, visitava prefeituras porque não tinha de determinado sabor, tinha que colocar outro no lugar (...).

O depoente, que é bacharel em Direito e formado em Administração de Empresas, chamou tais tarefas de “consultoria técnica”.

Joaquim disse que prestou consultoria à COAF e a mais três empresas; a Delta, que produz sucos em Bebedouro, coincidentemente sede da COAF; à panificadora Reali e à uma empresa americana de polímeros, que rompeu contrato com Joaquim quando este ficou sub judice – suspeito de envolvimento em fraude milionária da COAF.

Embora fornecesse consultoria, por exemplo, para prefeitura de Araras, Joaquim estranhamente não soube dizer nome do prefeito da cidade. Para completar, também não soube dizer o valor dos contratos firmados, assim, não poderia calcular a porcentagem que receberia sobre eles, o que causou espanto dos deputados. Como é que alguém poderia fornecer um serviço sem saber quanto iria receber?

A deputada Beth Sahão não se conteve e questionou-o. “Eu ainda estou intrigada com esse valor. Qual é o percentual tradicional que consultores estabelecem em suas relações? Ele colocou no início da fala que cobrava até 25% , eu queria saber se isso é razoável”.

A deputada Beth frisou que, dentro de um mesmo ano, Joaquim recebera R$185 mil da COAF e R$321 mil da Reali. A comissão da COAF é porcentagem de contrato de mais de R$1,3 milhão.

O deputado Professor Auriel classificou depoimento de “desastroso” e mostrou-se indignado com a postura do depoente.
Diante do depoimento de Joaquim, diversos deputados quiseram se certificar de que a quebra do sigilo fiscal e bancário do depoente já tivesse sido pedida, o que foi confirmado. A CPI aguarda as informações.

Marina Moura


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