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25/11/2016

Coragem

Sem medo de buscar a verdade: Depoimento da mãe de um dos cinco meninos mortos pela polícia

Crédito: Marina Moura
Pergunta que não quer calar: "Como é que um pode matar cinco"?
Adriana Nogueira, mãe de Jonathan, um dos meninos que ficaram desaparecidos e depois tiveram corpos encontrados em matagal, comove em depoimento dado durante lançamento de frente Parlamentar contra Violência Policial.

Ouvir relatos de vítimas de violência policial fez parte da programação do lançamento da Frente Parlamentar Estadual em Defesa do Direito de Manifestação e Expressão. Talvez tenha sido o momento de maior comoção do evento que aconteceu na Alesp na noite de quarta-feira (23).

O primeiro depoimento foi de Déborah Fabri, que perdeu a visão esquerda ao ser atingida por estilhaços de uma bomba lançada por PMs durante ato contra o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. Foi a primeira vez que ela contou detalhesdaquela noite de 31 de agosto.

Em seguida os presentes ouviram depoimento de Adriana Nogueira Moreira, mãe do garoto Jonathan, assassinado brutalmente junto com quatro amigos. Os rapazes eram da zona Leste e seus corpos foram encontrados em decomposição em um matagal da cidade de Mogi das Cruzes. Adriana falou, para além da dor da perda do filho, da indignação com o descaso na apuração das mortes, que comprovadamente foram produzidas por policiais.

Ela própria, junto de amigos e familiares, tiveram que conduzir as investigações em busca dos corpos e da identidade dos autores da execução. Adriana conta que eles saiam em comboios de até 30 carros em busca dos corpos dos garotos. Após ser aconselhada por um jornalista a pedir auxílio da Águia e do GOE (Grupo de Operações Especiais), a mãe teve acesso ao secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho. Na imprensa o secretário disse que convocara as Águia e o GOE, mas Adriana diz que é mentira, ela já havia pedido. No final, os corpos foram encontrados por um trabalhador rural da região.

“1 não mata 5”


“Hoje estou de pé hoje porque quero todos na cadeia e vou lutar para isso. Porque só um, que é GCM está preso. Só que um não mata cinco”, desabafa decidida Adriana, mãe Jonathan.

Segundo ela, fora os amigos e familiares, apenas o CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) prestou apoio nas investigações. Não é coincidência que pouco tempo depois, na segunda-feira (25), a Polícia Civil e Ministério Público, em operação conjunta, tenha invadido o órgãoe levado o computador em que ficam reunidos dados sobre vítimas de violência policial.

Adriana até hoje busca resposta para a morte de seu filho e de seus amigos . “A cena do crime foi alterada duas vezes. Aí eu só quero saber. Eu pergunto pro secretário de Segurança: “Quem matou Jonathan, César, Robson, Caíque e Jonas?”.

E reforça: “Somente isso, porque um não mata cinco”.

Marina Moura











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