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18/06/2015

Frente de Luta

Assembleia lança Frente em defesa dos movimentos de sem teto e sem terra

Assembleia lança Frente em defesa dos movimentos de sem teto e sem terra

“Pessoal, vocês mais jovens, vamos ceder lugar aos mais idosos, mulheres com crianças ou grávidas e pessoas com mobilidade reduzida. O movimento mais que moradias, ele constrói cidadania”, está foi uma das manifestações do líder da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, ao dar boas vindas às pessoas que estavam chegando ao auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa, nesta quinta- feira (18/6), para participarem do lançamento da Frente Parlamentar pela Habitação e Reforma Urbana.

Cerca de 1500 pessoas fecharam a rua em frente à Assembleia Legislativa para acompanharam as manifestações das lideranças populares e dos deputados que apoiam os movimentos populares e protestaram contra a criminalização dos movimentos populares.

Coordenada pela deputada petista Marcia Lia e Teonílio Barba como vice, a frente tem também os integrantes titulares Luiz Fernando e João Paulo Rillo e Ana do Carmo, Alencar Santana Braga, Enio Tatto,Luiz Turco, todos apoiaram a iniciativa e participaram da atividade.

A onda de despejos truculentos dos moradores de diversas ocupações da cidade de São Paulo, com a criminalização das lideranças e a revista vexatória de pessoas que ocupavam um prédio desde maio, no centro da capital foi veementemente protestada pelas lideranças populares e deputados.

A força dos movimentos e a resistência à criminalização foram a tônica da maioria das colocações dos deputados que criticaram o pedido de CPI do deputado Coronel Telhada para apurar a suposta “indústria de invasões de terrenos urbanos e rurais no Estado de São Paulo.”

Para as lideranças dos movimentos populares a Frente pode ser um espaço de articulação para se contrapor ao deputado do partido do governador que quer colocar a opinião pública contra dos movimentos dos Sem Teto e Sem Terra.

A falta de comprimento das metas de moradias pelo governo Alckmin foi lembrada pelos deputados petistas, “das 150 mil moradias prometidas na campanha o governo Alckmin entregou apenas 46 mil até o momento e em 2008 o PSDB acabou com a alíquota de 1% do ICMS que era destinado para a habitação”, informou Teonílio Barba.

O líder do Sem Terra Gilmar Mauro fez uma breve narrativa com a contextualização da luta pela terra e pelo direito à moradia desde a época colonial, “ lá nas capitanias hereditárias, sesmarias surgiram os grandes latifúndios, até antes de 1850, no Brasil todas as terras eram públicas e a mão de obra escrava. A partir desta data prevendo a abolição da escravatura foi promulgada a primeira lei da terra, estabelecendo que para ter acesso o cidadão teria que comprá-la. Oras, como o trabalhador que tinha sido escravo poderia ter acesso ao seu pedaço de chão. Surgem aí as favelas e os sem terra e assim nasce a luta pela reforma agrária”, pontuou.

As inúmeras bandeiras dos diversos movimentos de moradia presentes foram saudadas por Kazuo Nakano, arquiteto urbanista ex -gerente de projetos da secretaria nacional de programas urbanos do Ministério das Cidades, ao lembrar que muitos dos movimentos têm mais de trinta anos de trajetória e de luta pela habitação e direito à terra.

A resistência e a força dos movimentos foram destacadas por Benedito Roberto Barbosa,conhecido como Dito entre os militantes e também um dos fundadores do movimento sem teto da cidade de São Paulo.

Ex- deputado e tradicional apoiador dos movimentos de moradia Henrique Pacheco citou várias ocupações, lutas e algumas conquistas nos últimos trinta anos dos movimentos.
Conduzindo a participação dos parlamentares e das lideranças populares, Marcia Lia lembrou o déficit habitacional de 1,5 milhão de unidades e ressaltou o papel da Frente, destacando que a mesma será uma trincheira de apoio e defesa dos movimentos populares urbanos e rurais. (rm)


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