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10/10/2017

Alckmin libera celulares na escola sem garantir igualdade de condições entre os alunos

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O uso de aparelhos celulares nas escolas foi o assunto da audiência pública promovida pela deputada Beth Sahão nesta terça-feira, 10/10, que reuniu educadores e especialistas em tecnologia de informação. O encontro ocorreu em razão do projeto de lei do governador (PL 860/16) que acaba com a proibição do uso de celulares nos estabelecimentos de ensino do Estado, aprovado também nesta terça-feira pelo plenário da Assembleia.

A medida é controvertida, conforme demonstraram os educadores. Maria Stela Graciani, professora da PUC de São Paulo, entende que embora os equipamentos tecnológicos de alto nível sejam interessantes do ponto de vista pedagógico, sua utilização para essa finalidade precisa ser avaliada com mais cuidado. >

Conhecedora da realidade das escolas públicas, a educadora entende que grande parte dos alunos não tem condições de obter um celular com conexão com internet. “Alunos das escolas de periferia terão acesso a aparelhos celulares? O Estado vai comprar aparelhos e garantir a todos os estudantes as mesmas condições de acesso?”, perguntou ela.

Especialista em tecnologia e educação, Carlos Eduardo Silva, da Prefeitura de Guarulhos, defendeu o uso das novas tecnologias no processo de aprendizagem. Mas ponderou que existem ainda muitos desafios, como garantir o acesso a todos e estabelecer critérios para o seu uso.

A professora Nadia Dumara Silveira, da Faculdade de Educação da PUC, avalia que um projeto de lei precisaria estar ancorado em diagnósticos e informações. Deveria levar em conta também sugestões de gestores das instituições de ensino, o que não é o caso do projeto de Alckmin.

“Um projeto político pedagógico envolve a comunidade escolar e a forma como esta está inserida na cultura digital”, disse Silveira, que também apontou a necessidade de pensar a formação dos professores na relação educação tecnologia.

O deputado Luiz Turco ponderou que o uso de aparelhos nas escolas é uma realidade irreversível. O problema principal é a falta de condições materiais mínimas para o funcionamento das escolas da rede pública. Turco destacou ainda estudo do Comitê gestor da Internet que indica que mais de 70 % dos estudantes do ensino médio já utilizaram celulares em atividades didático-pedagógicas.

A deputada Beth Sahão disse que a audiência pública mostra que a aprovação do projeto do governador sem uma discussão mais ampla é um grande prejuízo para aperfeiçoar os instrumentos legais. Mas o assunto está em aberto e a discussão segue, segundo ela, no processo de regulamentação da lei.


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