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10/08/2017

Carlos Neder rejeita relatório da CPI dos Planos de Saúde

Crédito: Liderança do PT
Posicionamento de Carlos Neder recebeu apoio de outros parlamentares
O deputado Carlos Neder votou contra o relatório da CPI dos Planos de Saúde, que realizou nesta quarta-feira (09/08) reunião de encerramento. Para o parlamentar, não existe condições de aprovar um relatório que deveria ser resultado de uma investigação séria, sobre um tema tão importante para a população como o atendimento em saúde, já que praticamente não houve o trabalho de apuração.

Criada na Assembleia Legislativa de São Paulo no final do ano passado, a CPI tinha como objetivo apurar possíveis irregularidades cometidas pelas operadoras privadas de saúde, causando prejuízos para a população e para o poder público.

A CPI encerra os trabalhos após cinco reuniões realizadas, sendo que a maior parte delas tratou apenas de questões burocráticas e regimentais. Em praticamente seis meses de funcionamento, de 22 reuniões convocadas, cinco foram canceladas, 11 não aconteceram por falta de quórum e apenas seis ocorreram, já contando com a reunião de encerramento. O relatório final, apresentado pelo deputado Ed Thomas (PSB), acabou rejeitado por 3 votos a 2.

Neder lamentou ter feito parte da comissão e renunciou à vice-presidência do órgão, responsabilidade a qual disse ter aceitado na espera de realizar um trabalho condizente com as atribuições para as quais os deputados são eleitos. “Eu tenho vergonha de ter feito parte desta CPI, porque ela, infelizmente, não merece o nome de uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, ressaltou, lembrando que chegou a apresentar roteiro de trabalho e sugestão de autoridades a serem ouvidas. “Sinto-me constrangido. Depõe contra o meu currículo e a minha história ter participado de uma atividade como essa, que se aproximou muito mais de uma farsa do que propriamente de um trabalho que se espera do maior parlamento estadual do Brasil.”


CPI fantasma
Desde a instalação do órgão no Parlamento paulista, Neder vinha denunciando o esvaziamento da comissão, que chamou de CPI Fantasma, cobrando providências da Alesp para que o trabalho de investigação pudesse ser efetivamente realizado.
“Muitas vezes, as pessoas se perguntam se vale a pena instalar uma comissão parlamentar de inquérito, porque analisando a experiência de CPIs que já existiram, há a crítica de que os temas são irrelevantes, ou, quando os temas são importantes, muitas vezes essas CPIs acabam em pizza. Por quê? Porque elas não investigam, não convocam e acabam por não esclarecer os interesses escusos que possam estar envolvidos em práticas ilícitas e, frequentemente, com uso de recursos públicos”, ressalta Neder.

Falta de credibilidade

Outros parlamentares da CPI se associaram à manifestação de Carlos Neder e também foram duros com relação à atuação da Assembleia paulista. O relator da comissão lamentou a falta de credibilidade do Poder Legislativo e apontou para aqueles que não cumprem com o seu dever. Ed Thomas ponderou que o relatório apresentado foi um esforço que precisou ser feito a partir do pouco que se realizou na CPI.

“Que se registre a ausência daqueles que deveriam participar, que não cumpriram com o seu mandato e sua autoridade de fiscalizar. Mostra o descrédito da Alesp e da classe política em geral. Pudemos relatar aquilo que o país já conhece: que quem manda são grupos”, considerou Thomas. Ele lamentou ainda a rejeição da peça. “Parece que o relatório foi mal feito, quando na realidade a CPI é que não existiu. Vida que segue e que não coloque o meu trabalho como parte dessa vergonha e dessa farsa”, asseverou.
Também participaram da reunião os deputados Dr. Ulisses (PV), Ramalho da Construção (PSDB) e Wellington Moura (PRB), como presidente da CPI.



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