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14/06/2017

EURECA! O povo na casa do povo

Deputada Estadual Márcia Lia
*Por Márcia Lia

Os olhos marejados do jovem educador Felipe Choco ao ver o Bloco Eureca enchendo de luz, as cores e a batucada no hall do auditório Franco Montoro, dizem muito sobre a diversidade e brasilidade que contrastaram com a sobriedade do Palácio Nove de Julho. E na casa do povo tinha povo, representado pelas crianças e adolescentes do Bloco Eureca, que inundaram de esperança os presentes durante o lançamento do “Mini-doc Bloco Eureca”, na Assembleia Legislativa de SP.
O documentário é uma ode ao modelo metodológico que exalta os direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente pelas ruas de várias cidades paulistas. Nascido dentro do projeto Meninos e Meninas de Rua, em São Bernardo do Campo, o Bloco Eureca está há 26 anos dando oportunidade para jovens (majoritariamente em situação de vulnerabilidade social) explorarem seus talentos.

O evento começou com crianças do Grupo de Percussão ACER Brasil (Associação de Apoio à Criança em Risco) cantando o hino nacional ao som de vários djembês: a africanidade, negada nas escolas tradicionais de um país tão africanizado, estava abrindo os trabalhos como fariam povos africanos – conforme lembrou Leci Brandão, presente à mesa. Aliás, na mesa também estavam os protagonistas, que, sem medo de encarar o maior auditório da Alesp, falavam com o coração transbordando sobre a importância do Bloco em suas vidas. Os meninos e meninas que poderiam estar em trajetórias menos prósperas falavam com orgulho de suas viagens para fora do estado, de suas participações em congressos de direitos humanos, da dedicação para compor sambas que servem de guia durante os desfiles do Eureca.

Se no começo do desfile (ups! Ato falho… do evento!) todos foram lembrados dos caixões com corpos de crianças, em sua maioria negras, que a periferia conhece bem, das balas perdidas, da rota que o crime oferece quando o Estado não cumpre seu papel, o desenrolar da noite deixou claríssimo que o Bloco Eureca, presente dentro de diversos projetos sociais em diferentes cidades, é muito mais do que ferramenta para valorização do indivíduo e do coletivo: é uma verdadeira fábrica de lideranças. Se a ideia do Eureca era transformar em Carnaval (em sua mais perfeita e bela concepção) a luta pelos Direitos Humanos, o que conquistou foi um lugar maior do que a classificação de maior bloco composto por crianças e jovens, o único lutando pelos direitos desses no Brasil: o Eureca virou patrimônio de todas as pessoas que acordam porque sabem que é preciso lutar.

A noite de oito de junho de dois mil e dezessete ficou marcada pela história, e trata-se do dia em que as crianças da periferia, inspiradas por almas educadoras, mostraram que política e formação política não exigem gravata, salto alto ou pó-de-arroz: precisa de gente, em sua mais pura forma. Precisa de participação e pluralidade e nisso nosso mandato vai contribuir e muito.

*Márcia Lia é deputada estadual pelo PT.